Pessoas que não conhecem os princípios da Análise do Comportamento ou do ABA (Análise do Comportamento Aplicada – Applied Behavior Analysis em inglês), tendem a pensar que é um método que ensina as pessoas a aprenderem as coisas ganhando algo em troca e que isso pode tornar as pessoas mais materialistas ou a querer fazer algo só quando receberem algo em troca.

No entanto, ABA é uma Ciência aplicada, que estuda comportamento, e que, como toda Ciência aplicada, traz resultados de pesquisa que contribuem para soluções de problemas sociais. Assim, através do ABA, descobriu-se por definição que o comportamento se mantém exatamente devido à sua consequência. Que essa “troca” na verdade ela sempre ocorre. Por exemplo: as pessoas trabalham para obter sustento ou prazer na atividade que realizam; as pessoas casam para obter companhia, afeto; as pessoas estudam para obter conhecimento...

Através do estudo da ABA, é possível aprender a analisar o comportamento das pessoas e, a partir dessa análise, aprender como modificar comportamentos prejudiciais ao indivíduo e aumentar comportamentos saudáveis.

Então, a definição de reforço é: uma consequência que aumenta a probabilidade do comportamento acontecer novamente no futuro. E, para aumentar comportamentos saudáveis, é preciso descobrir que consequências devem ser produzidas para possibilitarem o aumento da frequência desses comportamentos saudáveis. Da mesma forma, é necessário descobrir que consequências podem estar atuando como reforço para comportamentos prejudiciais ou disruptivos.

Explicando de um modo mais simples, através de exemplo de como pode ocorrer o aumento de um comportamento saudável:

Fernanda canta para a mãe, enquanto ela observa, sorri e elogia a filha. Luisa canta para a mãe, enquanto ela assiste a novela e não presta atenção na filha. Pode-se dizer, a partir dos princípios de ABA, que provavelmente Fernanda continuará cantando para a mãe, enquanto que Luisa irá parar de cantar para a mãe. Isso porque a atenção dada pela mãe de Fernanda tem a função de reforço para o comportamento de cantar de Fernanda. Enquanto que o comportamento de cantar de Luisa não produz essa mesma consequência, ou seja, não é seguido de reforço.

Explicando de um modo mais simples, através de exemplo de como pode ocorrer o aumento de um comportamento prejudicial:

João vai com a mãe Maria ao supermercado e, ao ver um brinquedo, pede a mãe para comprar. A mãe já havia dito que não iria comprar nada naquele dia além dos legumes que estavam precisando. A criança então se joga no chão e dá aquele escândalo em pleno supermercado. A mãe, para calar logo a boca do menino, pega o brinquedo e compra. Acontece a mesma situação com André e sua mãe Júlia. Porém Júlia apresenta uma consequência diferente ao seu comportamento, em vez de comprar o brinquedo, ignora o choro da criança e continua comprando os legumes.

Na primeira situação, João para de chorar imediatamente porque ganhou o que queria. Essa consequência aumenta a probabilidade do João chorar outras vezes no supermercado para obter o que quer. Pode se tornar uma criança cada vez mais difícil na ida ao supermercado.

Na segunda situação, André não ganha o que quer, pode continuar chorando ou chorar mais forte naquele momento e depois parar, mas a consequência da Júlia faz com que reduza a probabilidade do André chorar outras vezes no supermercado para obter o que quer. Se ela continuar com a mesma consequência, André não apresentará mais esse comportamento no supermercado.

Com esse exemplo, não se tem a intenção de explicar qual o procedimento que seria certo ou mais adequado para essas crianças. Mas apenas ilustrar o efeito comportamental do reforço (consequência emitida pela mãe Maria de dar o brinquedo diante do choro – o reforço dar o brinquedo aumentou a probabilidade da resposta chorar no supermercado acontecer no futuro) e da extinção (a mãe Júlia não produz consequência exigida pelo choro – não houve reforço para aumentar a resposta chorar no supermercado no futuro).

Pessoas com TEA costumam ter interesses restritos e/ou incomuns. Portanto, a aprendizagem de muitos comportamentos acaba falhando, devido ao uso de consequências que na verdade não são reforçadoras para os seus comportamentos. Por exemplo: pedir para uma pessoa com TEA para olhar nos olhos de alguém e apenas elogiá-la quando ela consegue ou pior, dar muitas explicações da importância desse comportamento, faz com que a frequência desse comportamento não aumente, porque a pessoa com TEA pode ainda não se sensibilizar com elogio, não compreender o elogio ou não se importar com o elogio. Isso porque trata-se de pessoas que tem dificuldades de abstração e, portanto, de perceberem o significado desse elogio; ou de dificuldade de relacionamento, que não percebem ainda a importância do elogio. E muitas explicações, além de não facilitar o entendimento, pode torna-se aversivo, incômodo e, na verdade, produzir o efeito contrário ao desejado.

Dessa forma, é essencial que se descubra o que é reforçador para cada indivíduo com TEA em particular, para poder saber como motivá-lo a aprender comportamentos saudáveis.


Links relacionados ao Guia sobre Habilidades Sociais da SociAutism

Transtorno do Espectro do Autismo – TEA

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Reforçamento como procedimento de ensino

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Instruções Gerais do Guia


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Flavia Baião é Mestre em Análise do Comportamento (ABA) pela PUC de São Paulo, Especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva pela USP, e Psicóloga do Núcleo de Terapia Comportamental - NuTeC (nutec.pi@gmail.com / 86 3222-4434 / Teresina-PI / https://www.facebook.com/nutecpi/ / https://www.instagram.com/nutecpi/)


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