A SociAutism desenvolveu um guia para os terapeutas utilizarem nas clínicas e escolas. O guia é composto pelas seguintes categorias de treino: 1) Contato visual, 2) Linguagem Corporal, 3) Habilidades de comunicação, 4) Jogo como ferramenta de socialização e 5) Emoções. Essas categorias constituem a base para uma interação social bem sucedida. Todas elas propõem exercícios para o aprendizado de um conjunto de habilidades que constitui cada categoria, exceto a primeira, que ensina apenas uma habilidade, que é a de olhar nos olhos do outro, uma habilidade difícil para muitas pessoas com TEA e que deve ser ensinada separada das outras habilidades, devido ao seu grau de dificuldade. Os exercícios estão organizados de forma hierárquica, como uma sugestão de ordem a ser executada, pelo grau de complexidade, mas não impede que o aprendiz tenha mais facilidade em aprender algumas habilidades e mais dificuldade em aprender outras, permitindo ao aplicador aplicar em ordem diferente os exercícios, caso sinta necessidade.

Este post apresenta instruções gerais que precisam ser seguidas durante todas as atividades propostas:

1) É importante o registro de cada resposta emitida (de como o aprendiz respondeu a cada instrução dada). Veja no anexo um exemplo de folha de registro para facilitar a anotação.

2) Sempre aguarde 2s no mínimo para dar oportunidade ao seu aprendiz responder igual ao que está na ilustração ou ao que está sendo proposto. Caso ele não responda nesse período, dê a ajuda necessária.

3) Você não pode deixar o seu aprendiz errar. Caso isso aconteça, retome do início apresentando novamente a ilustração ou o comando e dê a ajuda necessária para evitar o erro nessa nova tentativa.

4) Como saber a ajuda necessária para cada exercício?

a. Dê o comando da tarefa a ser executada e aguarde 2s para observar a sua resposta

b. Caso não haja resposta, comece pela ajuda total (AT)*** e vá retirando essa ajuda gradualmente, passando para a ajuda intermediária (AI)**, depois a ajuda mínima (AM)*, para enfim, deixar a resposta ocorrer sem ajuda.

***Ajuda total (AT): dar instrução e conduzir totalmente a resposta junto com o paciente (guiá-lo fisicamente para executar a resposta).

**Ajuda intermediária (AI): reduzir um pouco a ajuda total, podendo guiar menos fisicamente, dando apenas um empurrãozinho ou guiando parte da resposta.

*Ajuda mínima (AM): reduzir mais ainda a ajuda, podendo somente f fazer algum gesto ou dar alguma instrução verbal.

5) Como saber quando passar de um nível de ajuda para o outro?

Deve-se sempre planejar o esvanecimento dessa ajuda, ou seja, a retirada gradual dela. Quando o aprendiz estiver respondendo corretamente sob o nível de ajuda planejado durante duas apresentações consecutivas daquela ilustração, é o momento de partir para uma ajuda menor. Caso não alcance esse resultado após muitas tentativas, a sua forma de ajudar pode estar inadequada para o seu aprendiz, tente mais ajuda ou outro formato de ajuda.

6) Formatos diferentes de ajuda ou ajuda complementar

Às vezes o indivíduo pode ter muita dificuldade em realizar a tarefa proposta ou em generalizar isso para outros espaços e outras pessoas. Se estiver tendo dificuldade de executar a atividade mesmo com a ajuda planejada, ele pode necessitar de outros recursos, como representações visuais com mais passos descritos do que deve fazer ou vídeo com a execução da resposta inteira. Uma outra opção é a construção de uma “história social” – fazer em formato Power Point uma historinha que represente o que ele deve fazer em mais passos.

7) Faça testes de generalização e de manutenção dos comportamentos aprendidos, isso ajudará na avaliação do aprendizado. Caso o comportamento não ocorra nesses testes, pode ser necessário treinar novamente a mesma habilidade. Caso somente não aconteça em outro ambiente ou com outra pessoa, pode ser necessário incluir essa pessoa ou esse ambiente em um novo treino.

8) Avalie sempre os resultados dos exercícios, através dos seus registros. Se observar que o comportamento não está evoluindo ou que não está aprendendo, pode não ser o momento certo de ensinar aquele comportamento, ele pode precisar aprender outros comportamentos antes, que seriam pré-requisitos. Ou o procedimento adotado pode estar mal-planejado, necessitando de algumas mudanças, como, por exemplo, o aumento do uso de reforçadores, a segmentação do exercício em mais etapas ou o uso de imagens visuais como dica. 

9) ATENÇÃO! NEM TUDO QUE É USADO PODE TER FUNÇÃO DE REFORÇO: A IMPORTÂNCIA DO CONTROLE DO REFORÇADOR. Só é reforço quando aumenta a probabilidade da resposta ocorrer novamente ou quando se observa um aumento da resposta após experiência anterior de apresentação desse estímulo. Portanto, teste o valor do reforço antes de iniciar qualquer treino. Você pode entregar ao aprendiz e observar como ele reage. Se ele pegar imediatamente e manipula-lo com interesse e não abandoná-lo, este poderá ser utilizado como reforço nesse momento. Caso o aprendiz mexa um pouco, mas depois demonstre desinteresse ou não continua manipulando com entusiasmo, provavelmente esse objeto perdeu o valor reforçador e deve ser substituído por outro. Só inicie um treino quando tiver certo que tem em mãos algo com valor de reforço para o aprendiz naquele momento.


Links relacionados ao Guia sobre Habilidades Sociais da SociAutism

Transtorno do Espectro do Autismo – TEA

O que são Habilidades Sociais – HS

Pessoas com TEA e HS

As HS são aprendidas

Reforçamento como procedimento de ensino

A Extinção e o DRO

Porque é tão difícil responder ao próprio nome

Instruções Gerais do Guia


Uma versão online do guia, com suporte tecnológico para registro e controle da evolução das habilidades sociais das pessoas treinadas, pode ser encontrada no endereço www.sociautism.com. Além disso, recomenda-se acessar o blog desse mesmo site, a fim de receber informações sobre as novidades da área, bem como atualizações desse guia com novos cenários de treinos a serem realizados.


Flavia Baião é Mestre em Análise do Comportamento (ABA) pela PUC de São Paulo, Especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva pela USP, e Psicóloga do Núcleo de Terapia Comportamental - NuTeC (nutec.pi@gmail.com / 86 3222-4434 / Teresina-PI / https://www.facebook.com/nutecpi/ / https://www.instagram.com/nutecpi/)


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